Constantino e o Edito de Milão

....CONSTANTINO E O EDITO DE MILÃO
Por Taise Marques

  Após III séculos de terríveis sofrimentos e perseguições que os cristãos fieis tiveram que enfrentar justamente por se negarem a adorar e revenciar o imperador que era considerado um deus e a seguir seus rituais pagãos, enfim chegou tempos de paz e de liberdade para adorar e cultuar ao Senhor.
Em 313 dC., quando Constantino passou a ser o Imperador de Roma, após vencer a disputa pelo controle do Império - já que comandava apenas a parte Oriental do Império, enquanto a parte Ocidental era controlada pelo Imperador Majêncio - mostrou-se favorável ao Cristianismo promulgando o Edito de Milão, onde proibia a perseguição aos cristãos e declarava a liberdade de culto em paridade com o paganismo que até então era a religião oficial do estado. Constantino possibilitou ainda a instituição de novos templos e a restituição de outros que tinham sidos confiscados pelas autoridades romanas e vendidos a particulares na última perseguição. A partir desse momento, a Igreja passou a ser uma religião lícita e reconhecida judicialmente pelo Império Romano.
No entanto, os benefícios concedidos a igreja cristã pelo estado trouxe também alguns detrimentos, pois como a perseguição que antes era aos cristãos tinha agora sido transferida aos pagãos - uma vez que, todos deveriam cultuar a mesma religião que a do imperador - surgiram muitas falsas conversões. Dessa forma, iniciou-se um processo de degradação da igreja cristã, pois houve um elevado esfriamento na espiritualidade dos cultos. A adoração a Vênus e a Diana fora substituída pela adoração a Maria, os apóstolos mártires passaram a ser cultuados e adorados com a utilização de imagens e esculturas suas, e etc. Com isso, a Igreja Cristã foi se transformando gradativamente em Católica Romana.
Com a integração da igreja ao estado, ocorreram mudanças inclusive nas datas comemorativas como o natal que foi instituído no dia em que se comemorava o dia do deus Sol Invicto, 25 de dezembro, a transferência do dia do descanso de sábado para domingo, celebração da Páscoa usando tradições pagãs.
Constantino tinha ainda a pretensão de tornar a igreja estatal, constituindo como chefe o próprio imperador - era o chamado cesaro-papismo – pois, almejava ainda mais poder e autoridade absolutos, como os cristãos tinham-lhe grande admiração e gratidão não lhe fizeram objeção alguma. Porém, o reconhecimento como religião oficial do Império só veio a acontecer de fato mais tarde, com Teodósio.
Para além de uma verdadeira conversão de Constantino ao Evangelho sob o auspício de ter recebido de Deus um sinal através de um sonho com uma cruz, na qual havia um emblema com as duas primeiras letras gregas do nome de Cristo "X" e "P" superpostas, onde tinha a seguinte inscrição: "Sob este símbolo vencerás!", ao sair vitorioso da batalha na Ponte Mílvio, Constantino almejava poder soberano sobre todo o Império, sem restrição de nenhum cidadão ou grupos religiosos, não obstante, perceber que o império já apresentava vestígios de desgaste e possível ruptura, dada aos constantes ataques dos godos, a divisão do império efetuado pelo seu antecessor Diocleciano, com o seu governo tetrarca, e os constantes conflitos sociais causados pelos revoltosos do império.
A fim de unificar e fortificar o império mantendo a ordem e o controle, e salvar a cultura clássica, pareceu viável a Constantino converter-se ao Cristianismo e usá-lo como instrumento de pacificação em seu governo, o que, com efeito, conseguiu.
Além disso, vendo que pela força não conseguiria fazer os cristãos reverenciá-lo, pois estes constituíam-se o único grupo que não via o imperador como senhor supremo, e que apesar das severas perseguições que sofreram nos governos anteriores, cresciam e se fortaleciam cada vez mais, entendeu que era inútil se opor a eles, o mais sensato agora era aliar-se aos cristãos e com isso teria o controle desta religião. Isso o levaria a conquista de um excelente contingente humano sob suas ordens,  e acrescentaria mais uma religião a sua fé, acreditando que assim iria assegurar a proteção de “qualquer divindade que no céu mora” sobre ele e seus súditos.
No entanto, Constantino continuou a praticar o culto ao Sol Invicto durante um tempo, e foi ele autor da morte de um dos seus filhos, de uma das esposas e do seu cunhado Co-Imperador Licínio, o qual havia instituído para tomar conta da parte Oriental do Império, embora tenha educado seus filhos no cristianismo, e também se batizou já no final de sua vida.

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